Teste: Ram Dakota é uma Fiat Titano com status, nome forte e suspensão diferente
A Dodge Dakota original, que foi produzida na antiga fábrica da Chrysler, em Campo Largo (PR), entre 1998 e 2001, passou longe de ser um sucesso de vendas no Brasil: apenas 14.850 foram fabricadas. No entanto, ela ainda habita minhas memórias de infância como a picape média mais bonita da virada para este século.
A nova Ram Dakota não é tão diferente de outras picapes médias, até mesmo porque muito da sua estrutura é compartilhada com a Fiat Titano. No entanto, esta é a oportunidade de fazer uma reparação histórica: a primeira Dakota Quad Cab (cabine dupla) só teve 1.000 unidades fabricadas no Brasil, ao longo dos quatro primeiros meses de 2001, e se dividiram entre os motores V8 5.2 e V6 3.9 a gasolina, e o raro 2.5 turbo diesel de 115 cv.
Dakota tem lanternas de leds exclusiva e o “RAM” gigante na tampaFernando Pires/Quatro Rodas
Nesta nova encarnação, o único motor disponível é um 2.2 turbo diesel de 200 cv e 45,9 kgfm, sempre combinado com câmbio automático de oito marchas e com tração 4×4 com ativação automática. A Dodge Dakota brasileira nunca nem sequer teve tração 4×4.
Nacionalidade ainda é assunto complexo para a Dakota. A primeira era feita no Brasil com muitas peças importadas dos Estados Unidos (era, praticamente, um CKD). A nova Dakota é fabricada na Argentina, mas o processo de nacionalização ainda está em curso e muitas ainda são importadas da China.
Conjunto óptico é full-led nesta RamFernando Pires/Quatro Rodas
Ela foi concebida sobre a base da Changan Hunter. Inclusive, a maior diferenciação entre a Dakota e a Titano é justamente o painel, que na picape da Ram é o mais atual disponível na parente chinesa. Tem visual horizontal e superfícies do painel, do console (com alças laterais) e das portas dianteiras são macios, com partes revestidas de vinil marrom (pelo menos nesta versão Laramie).
Continua após a publicidade
–Fernando Pires/Quatro Rodas
O quadro de instrumentos de 7” e a central de 12,3” são integrados em uma mesma moldura. Não são as melhores telas em termos de resolução e interface (inferiores às da Ram Rampage, por exemplo), mas o mais grave é que, durante o dia, a central seja ofuscada pelo reflexo do vidro traseiro. A Fiat Titano permanece com um painel que foi criado, originalmente, para a já extinta Peugeot Landtrek, só com plásticos duros.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
–Fernando Pires/Quatro Rodas
A Ram Dakota ainda traz faróis full-led, grade e para-choque frontal próprios (que aumentam seu comprimento em 3 cm, para 5,36 m), além de um capô exclusivo com a parte central mais alta. As lanternas também são exclusivas e o enorme emblema “RAM” disfarça que esta é a mesma traseira de uma Titano.
Continua após a publicidade
Assine as newsletters QUATRO RODAS e fique bem informado sobre o universo automotivo com o que você mais gosta e precisa saber.
Inscreva-se aqui
para receber a nossa newsletter
Aceito receber ofertas produtos e serviços do Grupo Abril.
Cadastro efetuado com sucesso!
Você receberá nossa newsletter todas as quintas-feiras pela manhã.
Sendo o conjunto mecânico o mesmo de uma Fiat Titano, a Ram Dakota não decepcionaria no desempenho. Responde prontamente ao acelerador, principalmente quando com a tração 4×4 automática ativada. Mas esta Dakota Laramie foi 0,3 s mais lenta no 0 a 100 km/h que a Titano, cumprindo a prova de aceleração em 10,8 s (em modo 4×2). O que também merece destaque é que a suspensão da Dakota é mais macia no início do curso, característica que torna o seu rodar um pouco mais suave andando na terra. É o grau de refinamento o que a difere da Titano.
Caçamba tem volume de 1.210 litros e capacidade de 1.020 kg: a Dodge Dakota de 25 anos atrás levava 1.000 kgFernando Pires/Quatro Rodas
Tampa da caçamba tem alívio de pesoFernando Pires/Quatro Rodas
A Ram Dakota tem apenas duas versões, a Warlock (R$ 289.990) com proposta aventureira, rodas aro 17” e molduras nas caixas de roda sem pintura, e a Laramie (R$ 309.990), com rodas aro 18”, cromados e barra iluminada na grade. Ambas têm seis airbags, piloto automático adaptativo, frenagem de emergência e monitor de pontos cegos.
Continua após a publicidade
A Ram Dakota custa caro, mas tenta oferecer o status da marca em uma faixa de preço onde estão as versões básicas das líderes Toyota Hilux (SR, R$ 310.090), Chevrolet S10 (WT, R$ 302.990) e Ford Ranger (XLS V6, R$ 309.600). Status que uma Fiat Titano Ranch (R$ 285.990) não tem.
Ponto a ponto da Ram Dakota:
Acima da grade larga, a Dakota tem uma barra de led iluminadaFernando Pires/Quatro Rodas
Construção e acabamento:
A construção é como a de uma Fiat Titano, mas com acabamento significativamente melhor, destacado também pelo contraste entre o preto e o marrom. (4/5)
Tecnologia:
A central oferece conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, navegação embarcada e páginas dedicadas ao off-road, mas deixa a desejar na visualização. (4,5/5)
Vida a bordo:
Esse chassi compartilhado entre Titano e Dakota é grande. O espaço interno não é ruim e a picape Ram tem melhor aproveitamento com seus nichos e porta-objetos. (4/5)
Continua após a publicidade
Botões de blocante, modos de tração e freioFernando Pires/Quatro Rodas
Diferente da Titano, a Dakota tem portas USB-CFernando Pires/Quatro Rodas
Rendimento:
O motor responde bem, colocando a Dakota no pelotão intermediário das picapes médias tanto em desempenho como no que diz respeito ao consumo. (5/5)
Comportamento dinâmico:
A tração 4×4 automática permite abusar um pouco mais em curvas, mas a maciez da suspensão pede moderação. Em se tratando de uma picape, o conforto é bem-vindo. (4,5/5)
Segurança:
Tem seis airbags, sistemas de auxílio ativos, além de tração 4×4, sensores de estacionamento e câmeras de visão 360° em uma faixa de preço em que isso tudo é raridade. (4,5/5)
Continua após a publicidade
A Ram ainda não havia fechado o plano de manutenção, se terá revisões a cada 10.000 km, como a Titano, ou a cada 20.000 km, como a Rampage diesel (ambas com o mesmo motor). O preço de R$ 309.990 ao menos soa competitivo. (4/5)
Veredicto: o nome carismático pode facilitar a estreia da Ram Dakota, mas seu maior apelo está em oferecer mais por menos com algum status. (4/5)
Teste de Desempenho – RAM Dakota 2.2 Laramie
Aceleração
• 0 a 100 km/h: 10,8 s
• 0 a 1.000 m: 32,50 s / 157,3 km/h
• Velocidade máxima: 180 km/h
• 40 a 80 km/h: 4,6 s
• 60 a 100 km/h: 6,3 s
• 80 a 120 km/h: 8,0 s
• 60 km/h a 0: 16,8 m
• 80 km/h a 0: 29,2 m
• 120 km/h a 0: 66,6 m
• Urbano: 11,2 km/l
• Rodoviário: 12,5 km/l
Ruído interno
• Neutro / RPM máx.: 48,6 / 73,6 dBA
• 80 km/h: 64,2 dBA
• 120 km/h: 71,5 dBA
Velocidade real a 100 km/h: 96 km/h
Rotação do motor a 100 km/h: 1.800 rpm
Volante: 2,7 voltas
Motor 2.2 turbo diesel gera 200 cv e 45,9 kgfmFernando Pires/Quatro Rodas
Ficha técnica – RAM Dakota 2.2 Laramie
Motor: diesel, turbo, dianteiro, longit., 4 cilindros, 16 válvulas, 2184 cm³, 200 cv a 3.500 rpm, 45,9 a 1.500 rpm
Câmbio: automático, 8 marchas, tração 4×4
Suspensão: duplo A (dianteiro), eixo rígido com molas semielípticas (traseiro)
Freios: discos ventilados (dianteiro), tambor (traseiro)
Direção: elétrica, 14,1 m de diâmetro de giro
Rodas e pneus: liga leve, 265/60 R18
Dimensões: comprimento 5,36 m, largura 1,79 m, altura 1,87 m, entre-eixos 3,18 m, peso 2.150 kg, vão livre 22,9 cm ; capacidade de carga, 1.020 kg; tanque 80 litros
Publicidade
Leia a materia completa na fonte original:
Ver no Quatro Rodas